green screen, 2017

green screen, 2017
Performance, Tempo variável
Local: Central Saint Martins, Londres
Participação: Alunos (performance e 4D fine arts) e professores da Central Saint Martins.

Trinta plataformas de madeira foram fixadas em uma parede pintada de verde num espaço de passagem da faculdade. Cada plataforma possui um número sequencial. Os participantes, vestidos de macacão Lycra e touca de banho, são convidados a subir nas plataformas, se posicionar de frente para a parede  e  “olhar o verde” pelo tempo que quiserem. Todos à postos, um cronômetro inicia a contagem. Ao desistir da ação, o participante marca na parede o seu tempo de permanência. Quando o último desiste, a performance teoricamente acaba, no entanto as plataformas permanecem no local como um lugar de ativação voluntária pelo público passante, possibilitando novas “performances”.

O trabalho foi realizado durante um mês de bolsa/residência na Central Saint Martins, em Londres em 2017.

“Os limites do corpo, da voz, do espaço, do saber… O limite entre você e eu. Esse limite que deixa as coisas numa certa beirada. Um lugar de escolha ou indecisão. A borda. A borda não é barreira não. É passagem ou contemplação. É um lugar de um possível adeus ou um saudoso reencontro de chegada. A borda de um rio é um fim seco ou começo molhado. A borda é a possibilidade de novos encontros, caminhos e direções. Viajei 9 horas de ônibus em busca da borda: Land’s End, no extremo sudoeste da Inglaterra. Era uma tentativa de alargar o limite curto do meu ponto de vista. Falo agora da relação física mesmo. Existe aí um limite dessa tal visão que temos. 3 ou 4 quilômetros de distância, ou coisa assim. Depende da altura da pessoa e de onde ela está. E eu estava na cidade. Ponto de vista todo apertado e atravessado por prédios, pessoas, carros e objetos. Eu queria ter uma visão ampla e aberta do horizonte, tipo quando é possível olhar o pôr do sol lá no fundo da paisagem, sabe?  Land’s End parecia um lugar perfeito para isso. No entanto, quando cheguei lá, percebi uma forte neblina por todo lugar. Não era possível enxergar quase um passo além dos olhos. Para minha frustração, era branco. Tudo branco. Uma grande parede branca. Não existia horizonte e nem paisagem. Foi quando pensei que na verdade a “grande parede branca” era um espaço de uma nova paisagem: a imaginação. Aí veio aquele desejo de aplicar imagens onde já era branco. Coisa essa que me lembrou Chroma key, que é uma técnica de estúdio que consiste em colocar uma imagem sobre uma outra através do anulamento de uma cor padrão, como por exemplo, o verde. E no trabalho, o verde apareceu assim fazendo perguntas: É possível a criação ou imaginação de novas imagens à despeito do limite do olhar? Como imaginar novos contextos e perspectivas à partir de um lugar aparentemente nulo? ” (Elen Braga)

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Thirty wooden platforms were set on a green-painted wall in a central college atrium. Each platform has a sequential number. Participants invited to dress in Lycra skinsuits and swimming caps and are then asked to climb on the platforms, stand facing the wall and “look the green” for as long as they like.Meanwhile, a timer counts the elapsed time. Upon giving up on the action, the participant marks on the wall his / her time of permanence. When the last participant gives up, the performance theoretically ends, however the platforms remain in place as spaces of voluntary activation by the passing public, enabling new performances.
“The limits of the body, the limits of the voice, the limits of the space, the limits of the knowledge … The border between you and me. This limit that leaves things on a certain edge. A place of choice or indecision. The border. The border is not a barrier. It is a passage or contemplation. It is a place of a possible goodbye or nostalgic re-encounters. The border of a river is a dry end or wet start. The border is the possibility of new encounters, paths and directions. I traveled 9 hours by bus looking for a border: Land’s End, in the extreme southwest of England. It was an attempt to extend the short limit from my point of view. I’m talking about the physical relationship right now. There is a limit to that vision that we have. 3 or 4 miles away, or something. It depends on the person’s height and where he is. And I was in town. Point of view all tight and crossed by buildings, people, cars and objects. I wanted to have a wide, open view of the horizon, like when it is possible to watch the sunset at the bottom of the landscape, you know? Land’s End seemed like a perfect place for that. However, when I got there, I noticed a strong haze all over the place. It was not possible to see more than a step beyond my eyes. To my frustration, it was white. All white. A large white wall. There was no horizon or landscape. That’s when I thought that the “big white wall” was actually a space of a new landscape: the imagination. There came the desire to apply images where it was already white. This thing that reminded me of Chroma key, a studio technique that consists of placing one image over another by canceling a standard color, such as green. And at work, the green appeared thus asking questions: Is it possible to create or imagine new images despite the limit of the look? How to imagine new contexts and perspectives from a seemingly null place? “This work was carried out during a month of scholarship / residency at Central Saint Martins in London in 2017.